SPROWT ARTICLE | Alexandra Viola

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A Mulher na Liderança

Aquela cerimónia de despedida, às 08h30 da manhã, marcava o início de uma nova etapa na vida daquela mulher. Ela trajava a sua bata branca e com ela inúmeros colegas trajavam o mesmo uniforme. Mensagens de carinho, partilha de memórias e votos de prosperidade, enchiam a sala. Despedia-se dos seus colegas, pois passavam mais de 40 anos de serviço. Nessa jornada toda a instituição dependia dos seus serviços, sem ter sido a “Boss”. Havia apoiado a muitos e desagradado alguns (não se pode agradar a todos).  

Por um momento a minha mente perdeu-se: ela iniciou a carreira aos 17 anos numa província de Moçambique e, nesse trajecto passou por várias outras províncias, cresceu em conhecimento, experiência e categoria, sem ter sido digna de grande registo e eco social. Era mãe e esposa, o marido, de referência na sociedade, e os filhos todos formados e úteis, cada um no seu sector.

Entendi que a Mulher, desde cedo se destaca na liderança, mesmo sem formação académica superior ou grandes “cunhas”, basta que conheça a sua identidade e a sua missão nos diferentes papéis que desempenha. Seja criança, jovem, madura ou idosa, com marido ou não, ela faz a  diferença. Importa apenas, que se conheça e que saiba da sua missão. Importa que a sua missão, com eco ou não, seja desempenhada com humildade e determinação, para que vença obstáculos e sorridente encare as adversidades com foco no seu alvo.

Há mulheres que usam o domínio, mandam mais que os homens até dentro de suas casas, e impõem as suas posições com veemência. Outras, são “Low Profile”, mas a mulher naturalmente influencia, convence e muda a história de onde pertence.

A mulher, nem sempre precisa de aparecer ou fazer ruído, ela, muitas vezes só aparece através dos seus frutos, num trabalho digno, numa carreira limpa, nos muitos ajudados e numa família que lhe sorri. Netos e filhos feitos e integros, irmãos amados, amigos acarinhados no seu trajecto, e o ensino fica para as gerações vindoras.

Muitas são as vencedoras ocultas, que de “swidjumba” na cabeça levam o “mukhero” dia-a-dia, fronteira para lá, fronteira para cá.  Não entendem de liderança, nem têm formação superior, apenas se conhecem, sabem da sua missão e priorizam o alcance do seu alvo. Muitos dos que brilham com elegância, exercendo altos cargos executivos, posições políticas e sociais de renome, são gerados por essas líderes que não estudaram liderança,  mas exercem-na com classe e de forma limpa. Elas sabem quem são, de onde vêm, sabem onde vão, porque vão, e sempre que necessário, fazem recuos tácticos, em silêncio atingem a meta e alcançam os seus resultados.  

No final da cerimónia que marcava a sua apresentação, ela deixou como recado aos seu colegas: “Nem sempre temos que ser a cabeça, por vezes basta-nos ser o pescoço que faz a cabeça girar” e eu, pensei:  mas a mulher deve conhecer-se e, saber se é cabeça ou pescoço primeiro, e saber a sua missão, para ter foco no alvo e definir as prioridades em cada momento.

A mulher é uma lider inata.