SPROWT ARTICLE | Margarida Couto

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Liderança feminina – como subir, sem cair, uma escada que tem degraus partidos? (para depois partir um “tecto de vidro”)

São muitos os estudos que mostram que há uma correlação positiva entre diversidade de género na liderança e melhor performance financeira das empresas. Seria por isso de esperar que, mais não fosse por uma questão de vantagem competitiva, as empresas investissem na ascensão de mulheres a
posições de liderança.

Não é nada disso, porém, aquilo a que vimos assistindo (em diversas geografias), na maioria das empresas, com algumas honrosas excepções. E a pergunta que nos assalta é: “porquê, se é win-win”?! A resposta pode até parecer fácil. Mais difícil – há que reconhecê-lo – é contornar os obstáculos que
essa resposta encerra…

De acordo com a investigação levada a cabo, ano após ano, pela consultora internacional Mckinsey (que tem dedicado muita atenção ao tema e divulgado os resultados dos inúmeros estudos efectuados), um dos maiores obstáculos à ascensão de mulheres a lugares de topo é o chamado “degrau partido” (broken
rung) – mesmo nas empresas que contratam mais mulheres do que homens no “entry level”, aquelas que alcançam lugares relevantes nas organizações, representam um número diminuto. Essencialmente, porque esses lugares surgem numa altura em que têm de conciliar a sua ambição a posições de topo, com as exigências da maternidade/da vida familiar. É nesse particular momento que, para muitas, o degrau da escada rumo à liderança se parte. E as faz cair.

Temos, pois, de consertar esse degrau partido. Para, então, podermos quebrar o tristemente famoso “glass ceiling”…

Como?

Só vejo uma maneira – com o envolvimento comprometido dos homens. Sendo a actual liderança de topo maioritariamente masculina, se não pudermos contar com eles ao nosso lado, qualquer evolução significativa estará comprometida, a prazo.

Citando Ernst Hemingway, na sua obra “O Adeus às Armas”:

– Quem está nas trincheiras ao teu lado?

– E isso importa?

– Mais do que a própria guerra!

É pois dos homens que precisamos nas trincheiras, ao nosso lado – neste tema tão complexo quão relevante, a culpa não é de ninguém, mas a responsabilidade é de todos, homens e mulheres!